Sou um barco encalhado

Sou um barco encalhado

 

E eu não quero ir p'ra nenhum lado

Pois eu sou um barco encalhado

O destino traz ferrugem

Mas eu quero adormecer

Sempre, sempre sem o ver

 

E eu não sei se vou ou se fujo

Sabes que não sou marujo

Quem eu conduzo

Levo sempre ao mesmo refúgio

Apesar deste ficar sempre, sempre confuso

 

Perspectivo a vida a uma onda

Percorro a frescura da zona

Mas acabo sempre por voltar à tona

Pois eu sou como um mostrengo achado

E aqui eu fico, como sempre arrumado

 

A, B, A, ba deixo tudo e volto atrás

Não ligues, pois eu sou um escombro

Num mar cheio de rãs

Elas saltam e eu me escondo

Podes vir, pois sou um barco encalhado

 

 

Ricarda Melo

23/03/2003