Somos escandalosamente feios

Somos escandalosamente feios

E essa é a nossa moral.

Nada nos importa

Uma poesia que tresanda personalidade.

Havemos de ver se a aniquilamos.

 

A Zon está no telhado.

Dá parabólica aos céus

Dá notícias do que é e vier

A árvore de natal está nas águas-furtadas

Pisca ao Santander

A via pedonal

As esplanadas

A vista do Chiado

O banco no café

O capuchino ao meu lado

E a janela entreaberta para o castelo.

As conversas de mesa do café

Eu, coscuvilheira, a ouvir

A tomar notas.

A desgraçada humana se mostra a mim

Nestes meus voyeuristas comportamentos

O chão é feito de calçada

Os Beatles tocam

E eu gosto de contar o quotidiano.

Novamente olho a pedonal

E vejo que as luzes já amanheceram.

O meu café já não está a meio.

Eu preparo uma lista para o ano novo.

E observo

Como sempre

A incomensurabilidade insustentável da desgraça da vida alheia.

 

Bom ano Novo!

31-12-13