Quem tem medo de eleições ?

Sabe aquele Filme “Quem tem medo de Virginia Wolf?” Não, não é protagonizada por Margaret Tacher. (Poderia tê-lo sido noutro filme.) Adaptemos para “Quem tem medo de eleições?”.

Este título é mais europeu e caracteriza um filme recente, mas já com várias adaptações. Em países, ditos democráticos, as eleições precoces são vistas como inconvenientes, como instabilizadores dos mercados. Os investidores não gostam de eleições, não gostam de supressas. Sobretudo não gostam do risco das eleições serem verdadeiramente democráticas. Elegendo-se, nelas, partidos de franja. Estes têm ideias peregrinas, estilo de implementar mudanças, cujos objectivos não visam proporcionar melhores condições de vida aos grandes grupos económicos.

Em Portugal, o risco de supressas eleitorais é menos acentuado, às eleições legislativas só se podem candidatar partidos políticos. Aqui não se dá hipóteses a independentes ou líderes de movimentos serem eleitos. Talvez por isso, um novo partido português, o MAS, teve dificuldades em legalizar-se, junto do tribunal constitucional. Prevendo eleições legislativas antecipadas, os juízos dos constitucionais, quiseram talvez evitar supressas nas mesmas.

Contudo até que ponto, eleições representam uma oportunidade de mudança, se o leque de escolhas continua o mesmo? Parece-me que Virginia Wolf está circunscrita á alternativa PS versus PSD, as supressas estão bem acauteladas.

Por isso, quem tem medo de eleições? Só quem tem medo de abstenções.