Pressas do quotidiano
Pressas do quotidiano
I.
Cultivo grinaldas
como cultivo alfaces
Cultivo alfaces
como cultivo grinaldas
Abro um aterro na Terra
enxerto um pedaço de Mato
E lavro-o com uma foice
Depois corto uma mangueira
E abro-a
para esbanjar água
A seguir pego em estrume
das cortes dos animais
e encho o buraco de fertilizante
Queimo umas ervas
E meto-as lá dentro.
Depois arruíno a terra
Esburaco com as patas
Do meu animal traseiro.
Deslizo o meu alguidar por lá
E com as mãos planto as
Hortaliças.
A raiz fareja a terra
E de rompante lá se entranha.
Diariamente é meu quotidiano
Vigiar a minha verdura.
Ó Sol bemchamado
aprecio dar de comer aos coelhos
E a tarde corro atrás das galinhas
para lhes dar o milho.
O rebento da terra
estonteia-se à noite
Oiço da minha cabana.
No roliço da minha cama
Emudeço ao escuta-lo
Estala com o vento
E vem-me o cheiro da Terra
Ali na cama com as mãos
nas grades.
Soltou-se o meu animal!
Amanha vou acha-lo
Com a minha enxada.
Para já tenho um arado
Vou lavra-lo de noite!
06/01/2008 Coimbra
