Pessoa gostava de escrever em pé

Pessoa gostava de escrever em pé.

Escreveu as suas arias em pé.

Gostaria de saber porquê em pé

É como a sua dobrada.

Porquê fria?

Já passei por sua estátua várias vezes.

Há sempre alguém agarrado a ele.

Até há um barco com o nome dele.

Atravessa o Tejo.

Ele não me interessa mais.

Só gosto de Sá Carneiro

O Suicida

Belo cognome.

Ele foi como um príncipe em Paris.

Daqueles que viu cair a monarquia e ficaram com os anéis impenhoráveis

Por ele se lembrar d’outro.

D’outro dele

Aquele que haveria de ser se vivesse em monarquia.

Pessoa também se lembrava d’outro

Mas era do que podia ser se tivesse coragem.

Assim um morreu num acto trágico.

Fazendo sua vida digna de poema.

E um outro morreu com fígado torto.

Levou uma vida quotidiana, cerrado, embriagado…