O turista e a cidade
Parte I
Os aglomerados de turistas apresentam-se ao tecto. Expressando a sua face nas “ventanas” da exposição dos eléctricos.
Por todo o lado, sofre o corridinho da calçada. Com suas pedras sendo despegadas por seres. Estes pouco estarão por cá. São caminhantes de carris de aeroportos. Frequentam cais dispersos. Segurando seus guias iluminados, seus escaldões de água. Presas fáceis para taxistas desenvergonhados.
As gaivotas confundem seus cânticos com uma multidão de línguas, e alcateiam-se com os trens que ditam túneis malditos, nos confins da terra.
E chegamos ao largo. São Carlos apresenta um cartaz de fora. Aqui permanecem os nativos, esperando púlpitos de igrejas barrocas. Não descem sermões, mas sim discursos…
Parte II
Dos vidros confluem discursos. Vestidos abertos que enxotam moscas. Como um reservado que virou pobre, e agora apela ao Padre. Dos navios do lago, sobe ao achado Naus tresloucadas, que mais não são que ovelhas transnoitadas perdidas de ritos orientais, viventes de pedras.
As marquises confluíram no São Carlos. Suas pedras escancararam as portas, em alertas porosas, de dias risonhos. Cortinados abertos dão ar de marquesas, enxovalhadas por caniches descidos de infernos de Dantes.
Parte III
É de leitura fácil uma fachada junto ao Trindade: “Penso mas não existo”. Resume a nossa história. Subimos uma colina. Refreados pela luz de candeeiros supérfluos. Calcetamos pedra preta, que nos leva ao Oásis de papel de Parede.
Alfarrabista deserto levou uma avalanche de serpentes alcoviteiras, deixando-o a dormir ao relento do cais. Repare-se a Trindade está iluminada, vai dar “A sopa dos Pobres”. Corramos.
Calma, os cortinados estão subidos, contudo o espectáculo ainda não foi precoce. Estrela do Ouro. Comprei aí um livro, o mês passado. Comprei com crédito, pois não havia mais. Sempre me hipotequei com esperança.
