O papão meu amigo.

Ali, no quarto escuro, jaz o papão meu amigo.

Bom companheiro das horas vagas, zombava sempre das minhas alegrias.

Tinha aquele péssimo mau hábito de se esconder debaixo da minha cama. Quando eu estava agarrada ao sono como ovelha dormente. Pregava-me sustos e vinha para cima da minha cama como cão sardento. Dizia-me haver dinossauros debaixo da cama. Então eu, menina piedosa; deixava-o assentar-se aos meus lençóis, e encolhia-me, e fim de lhe dar espaço.

Partilhava a minha vida com o bicho papão.

Nunca dava um salto sem o consultar.

Sua opinião era douta e eu era sua fiel escrava.

Meu amigo papão sempre me dize que eu ia crescer e o esquecer. Porém, adulta o sou e com ele estou.

Ele vivia naquele quarto escuro, agora vive na minha vida.

Nunca dou um passo sem me guiar no seu braço:

-“Posso ir por aqui?

-NÃO, VAI POR ALI!

-Está bem, então eu sigo por aqui!”

Oh, meu pavão, tu jazes no quarto escuro e eu não mais te aturo!

 

Ao meu amigo pavão.

12-11-2013

Almada