O Flanco dos Cisnes

O flanco dos cisnes

Os céus quando arrebentam enchem-se de ares.

E quando crescem são flancos.

 

Blue, Blue

A station está blue!

Vamos ao Chiado.

Estamos numa carruagem

 

Os céus quando rodeiam têm cabras

Elas são câmaras filtradas.

Elas são clones da humanidade.

Os anjos quando morrem vão para o céu.

Os deuses quando morrem vão para Marte.

Os homens quando morrem vão para a água,

Entupir os esgotos

E condensarem-se nos céus.

Daí dizer-se que quando se morre vai-se para o céu.

Mas a verdade é que se volta à terra,

Pela Gravidade.

Ela é Santa.

Ela é o Santo retorno.

O ciclo de Platão.

 

A calçada quando morre fica destruída.

Em calhaus.

A rua quando morre fica vazia.

Sem janelas.

Aberta para passarem água.

O Chiado quando morre fica incendiário.

Tipo angolano em dia de festa.

E é assim.

Concluindo

A humanidade quando morre fica dinossauro.

A cidade quando morre fica Alentejo.

Mas/ Contudo/ Aliás/ Nada morre na verdade.

O sem-abrigo é a cidade na verdade.

Lisboa.

Vivo em Lisboa.