Meus olhos são regadios

Meus olhos são regadios

Que transbordam pelas salinas

Minha boca é uma secura

Que flameja pelo deserto

Minhas mãos são esterco de raça

Que rondam à caça

Meu corpo é falsa mortalha

comido em falsa batalha

Meu tronco é de árvore desfalecida

Meu ventre é de ramo arrancado

Minhas vestes são andrajos de prescrito

Meus pés têm cales da pedra

Minha existência é cega à guerra

Que já participou nela

 

22-23 Junho 2006

Coimbra