Discurso de Ofélia
06-12-2009 20:59
Discurso de Ofélia
Porque eu não tenho
eira nem cerda
Para desgostar meus desgostos
Minha vida é tão nefasta
de uma tristeza rudimentar
Um lavrar autêntico de meus olhos
Meus versículos contam uma história
malograda
Os terreiros alagados são um campo
de cultivo
fertilizo-os é para isso que sirvo
Uma nuvem que parece-se desloca-se
ante mim
Tomba um canhão e abre-se
a rebelião
E pude então arregaçar os olhos e versículos
Que pelo meu país choviam vértices
E lâminas no corredor.
E quanto do meu ser é do teu ser
Quanto do meu saber foi de não te ter
Ricarda Melo
Dezembro de 2006
(a bordo do Intercidades
a caminho de Coimbra)
