Assembleia magna

Hoje fui a uma assembleia magna da AAC. Já não me lembrava à quanto tempo não ia a uma, seriam dois, três anos. O meu amigo disse me que tinha sido há 2 anos lectivos atrás, num primeiro semestre, em que eu tinha intervido, ficado desiludida com assembleia.

Foi ai que me lembrei da desilusão que ditou o mesmo afastamento. Foi a retomar das relações da AAC com um reitor que chamou a policia de choque contra os alunos, que se manifestavam contra as propinas. Um colega foi preso, houve violência, ainda me lembro de ver o aluno que levou com gás pimenta nos olhos. Eu estava lá, perto dele, podia ter sido eu. Eu era caloira na altura e fui afastada pelos meus colegas mais velhos para longe do incidente. O rapaz ficou sozinho, no chão, agonizando, por algum tempo. Ainda hoje pesa me na consciência, como profundo arrependimento, não ter largado a mão que me puxava e ter ido ter com ele...Foi nesse dia, 20 de Outubro de 2004, que percebi o significado de autoridade, ao ver uma muralha de policia de choque armada. Uma barreira intransponível! Esse dia ficou me em trauma, depois dele sempre que via um carro da policia de choque, lembrava-me dos seus sentimentos. E como foram numerosos esse carros, após esse dia, os seus passeios tornaram-se frequentes na alta da Universidade e zona do botânico, durante esse ano lectivo. Mas lembro-me mais desse dia. Lembro me da multidão de estudantes, que estavam lá, e lutaram. Lembro-me da união da academia nessa ocasião. E lembro-me da esperança que tive numa assembleia que não podia ser magna, por não ter sido convocada com a devida antecedência, um dia após desse dia. Acreditava estarmos a criar história, que íamos mudar as coisas...

Só desilusões, das magnas que enchiam o auditório da reitoria ao ponto de haver sentados nas escadas, sobrou a escassez das magnas nas cantinas dos grelhados, com Dgs que não soubereram manter aquela adesão, aquele espírito de União, simplesmente porque aquela não era a sua bandeira. (E eu estou a acusar especificamente o “Guterres”). Pouco a pouco aquela luta tornou-se esquecida assim com aquele dia. Até que na ultima magna que fui, foram acusados os protagonistas daquele dia, de com o seu trauma, serem inconvenientes à AAC, inconvenientes, por não se esquecerem aquele dia. Eu não me esqueço. E não me arrependo de ter sido uma das protagonistas anónimas daquele dia, lutei pelo que acreditava, iguais oportunidades de acesso ao ensino superior, que nenhuma taxa devia perturbar. Arrependimento seria não ter ido, e ter ido para aulas como se nada fosse.

Assim, aquela magna anos depois magoou-me e desiludiu-me. Contudo ao contrario do que o meu amigo pensa, aquela não foi a última, nesse ano eu ainda voltei lá. Pouco tempo lá gastei, o suficiente para perceber a decadência daquele órgão e então partir.

Hoje, voltei. Tinha jurado que não mais lá voltava, como tantas vezes já tinha jurado. Contudo nunca o cumpro, dificuldade em desistir, é um problema meu. Hoje fui, porquê? Talvez tenha sido o azul do céu após dias de temporal, predispôs-me à esperança. E a verdade é que a meio da tarde já essa ideia me ocupava a mente, voltar. Voltar para ver, só uns minutos, para confirmar a decadência que tinha na memoria daquele espaço, e recordar a esperança que eu tinha nos meus verdes anos...

Surpresa foi o que senti. Era diferente a magna de hoje. Estava cheia. Caras novas entreviam. Muitas raparigas falavam. Os discursos eram construtivos. Aquelas habitues que só debitavam palavrões, não apareceram. Fiquei feliz com o que vi. E deu-me esperança...

 

 

 

 

 

 

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