Acto I, Cena I
ACTO I
Cena 1
Saiba vossemecê que a malta não tem medo da sua falta
d’alma. A erva daninha que tem aí dentro não afaga a
gente. Não! Não!
Ou é o quê? Ah!
Saiba vossemecê que as mercês que deu ao sacristão
foram todas consumidas pelos ratos. Ratos e baratas é
o que não falta no convento.
Galdéria é a sua mãe, que lhe pariu a si, sem saber o
corno que vossemecê era. Maldita essa Mulher que
abriu as pernas. Devia ter visto o Salazar e saúda-lo
e não virar as costas ao diabo.
Saiba vossemecê que o porco do seu pai, ceifava
coelhos na Amadora. E de Alterne em Alterne cagou
vossemecê.
Vossemecê é egoísta. Sabe, não. Sabe.
Aí o tijolo que lhe dava nessas fusas! Ai que até
arrebita o bicho!
Vossemecê percebe mas é de lamechas. Doutor, o
caralho!
Este diálogo foi produzido por um camponês em serviço, à
entrada do campo, confrontado por um político em plena
campanha eleitoral. Votaria nulo nas próximas eleições.
Contudo antes ainda se produziram mais uns capítulos.
