A reforma das instituições democráticas em Portugal
A actual crise vivida em PT, sendo várias as suas vertentes, social, económica e politica, pôs ao relento as falhas do nosso sistema, dito “democrático”. É cada vez mais claro, o divórcio existente entre a classe politica e a população. Diria que o divórcio apartou duas frentes. De um lado, os políticos e os comentadores habituais. Do outro, militares, empresários, alguns comentadores pouco habituais, sindicalistas, crianças, desempregados, reformados, capitães de Abril, artistas… (Falta alguém nesta lista? De certeza que sim, complete-la você, aí em casa.) é unanime a oposição da população. Senhoras de idade, que nunca estiveram numa manifestação antes, nelas participam pela primeira vez. Antes que venha a morte do sonhado para os seus netos e filhos. Por todo o lado é crescente e notória a contestação. Pede-se alternativas à política de austeridade. Contudo, os agentes políticos nada ouvem ou vêm. Os comentadores do costume continuam a remar contra a maré… Primeiro foi o discurso: “Portugal viveu acima das possibilidades”. Agora temos de sofrer a punição. Ou seja, sacrifícios, austeridade. Era passageira, diziam. Se os portugueses cumprissem com o prometido, sairiam da crise mais rápido. (Assim rápido, enquanto o diabo esfregaria o olho.)
Essa foi a primeira pregação. Passou um, dois anos. O desemprego cresce, as instituições de solidariedade social estão sobrelotadas, falências, retomas de casas pelos bancos… As receitas dos impostos caíram. As despesas subiram: mais subsídio de desemprego, mais rendimento de inserção social a atribuir. Com o desemprego há também menos contribuições para a Segurança Social. Depois mudou-se o rumo, havia que aumentar brutalmente os impostos. Reclamações? Diziam e dizem agora os comentadores de hábito, os portugueses têm de escolher o tipo de Estado querido. Quais os serviços que querem pagar com o dinheiro dos seus impostos. A culpa agora é da Constituição. Esta limita, faz aumentar as despesas, é inconveniente. “Precisa-se de uma refundação”.
Repare-se, e isto digo eu, nós até temos uma boa Constituição (CRP). Esta até está preparada para maus governantes. Não está é preparada para maus presidentes…
(No próximo artigo vamos explicar o porquê…)
