A geração Prozac
No outro dia vi um filme, não consegui ver o fim. O Watch-on-line por vezes não dá certo, a parte do fim bloqueou. Chamava-se “ A geração Prozac”, minto, “Prozac Nation” protagonizada por Christina Ricci. Baseado num livro autobiográfico, com o mesmo nome. Segundo a autora, Elizabeth Wurtzel, o Prozac salvou-lhe a vida. Era uma jovem brilhante, tinha entrado em Harvard, com bolsa de estudo. Era borderline, num tempo em que os médicos psiquiatras ainda não tinham descoberto essa nomenclatura, ela era só problemática. Diz ela que só se salvou com a tomada desse novo medicamento. O Prozac, Aprazolam, vulgo “Xanax”, apareceu nesses anos setenta/ oitenta “salvando suicidas”. Foi uma inovação espantosa da medicina, controlava a ansiedade e com ela, os impulsos suicidas, e outras problemáticas. O sucesso foi tal que se alastrou àquela geração de americanos, melhor à nação americana. Daí a expressão “prozac nation”. Este também se generalizou aos outros países ricos do mundo.
Big success, doesn’t it? Mas, minha querida Elizabeth, o prozac salvou-te?! Eu olho para as tuas fotos e as tuas biografias…mal tens quarenta, eras tão bela, tão brilhante. Tens a pele estragada, entraste na faculdade de direito por favor, chumbaste no primeiro exame de admissão à ordem. Foste demitida das colunas de jornais de prestígio. Já ninguém acha graça às tuas autobiografias de “puta”, alcoólica e drogada, que não se converte ao puritanismo americano.
O Xanax salvou-te?! Não. NÃO. Transformou-te numa morta-viva, completamente sedada, com as emoções controladas, a lucidez amputada em parte. Querida, (como me explicou, numa ocasião, uma boa psiquiatra), o Xanax “ é droga do Casal Ventosos. Ele não trata a ansiedade, só a anestesia e vicia”. É por isso que a tua geração continua a ser a geração prozac. Não vos curou, só vos drogou.
Em Portugal, aconteceu o mesmo. Por isso é que há doentes, há mais de 20anos, a tomar antidepressivos e outros similares. E nunca vão parar. Estes não curam, é mais fácil de 6 em 6 meses um psiquiatra acertar a medicação ao doente mental do que este ter psicoterapia com regularidade.
É mais fácil ser salvo por drogas, não é, minha querida Elisabeth? Toma um bom Xanax, e dorme descansada…
