A democracia faz-se no parlamento e não na Rua? – O sistema de representação parlamentar imperfeito
Hoje ouvi a seguinte expressão, vinda de um político, já com muitos anos de feiras: “A democracia faz-se no parlamento e não na Rua”. Trata-se obviamente de um equívoco, basta ir à origem da palavra “Demo” “Kratos”: poder do povo. O povo está na Rua e não no parlamento. Obviamente, por não ser possível uma democracia directa, em que todos votassem nas decisões da vida do Estado, (afinal somos 10 milhões!), foi necessário criar uma assembleia de representantes, que decidissem por quem os elegeu. Foi este o porquê de se criar um parlamento.
Contudo esses representantes devem, nas suas decisões, ter em conta a vontade de quem os elegeu. E isto ao longo de todo o mandato. A legitimidade democrática de um sistema representativo não se reduz a haver um parlamento eleito com transparência. Não se trata de escolher, dentro de uma oligarquia, pequenos ditadores, para estes decidirem o futuro do nosso país, sem terem em conta o nosso interesse e sobretudo a nossa vontade. Ou pelo menos, não se devia tratar. Os deputados eleitos dever ser capazes, (e devem faze-lo), de ler e escutar a Rua, ao longo de todo o seu mandato. Devem estar atentos aos seus Representados, aos que eles desejam e querem. A Rua, sim, é onde se faz a democracia, com o debate da sociedade civil, com as manifestações, com as reuniões de concertação social, etc. Sob pena, de termos um sistema de representação parlamentar imperfeito.
Lembremos o facto de os partidos políticos não possuírem o monopólio político. Afinal, há vida política para além dos partidos! Por estas razões, há que ter muito cuidado com as reuniões, dos políticos, à porta fechada, a fim de debater opções importantes para o país. Não serão decisões, saídas do secretismo e alheadas dos cidadãos, que serão a Salvação Nacional, antes pelo contrário.
